82346de3b14fd3cc7ecc966700159743-620x330

Chá da Tarde: A escritora infantil Adriana Maria Zanetta fala sobre seus livros e a Bruxa Cueca

A professora e escritora de livros infantis, Adriana Maria Zanetta, está cheia de histórias para contar. Ela vive um conto de fadas. Sim! Porque descobriu que não tem como fugir do seu destino que é divertir, entreter e ensinar ao mesmo tempo. É alegre, daquelas pessoas que um simples sorriso é só para de vez em quando. Com ela, a gargalhada é mais saborosa. De bem com a vida, alto astral, ela ensina que acima de tudo devemos fazer o que gostamos e usar os nossos dons para sermos pessoas bem sucedidas.

Parece que está no DNA da família essa coisa da arte. “Minha mãe levava as filhas e as puxava para o trabalho artístico. Comecei ajudando minha irmã a produzir camisetas. Comecei com a pintura. O gosto pela leitura também herdei de minha mãe. Meu pai morreu muito cedo e eu dormia sempre com ela. Ela lia todas as noites. Mãe que lê, com certeza, o filho vai gostar de ler.”, ressalta Adriana, mãe de João Otavio Zanetta Panatta.

Depois de ajudar a irmã em uma loja de presentes e a mexer com a arte da pintura e do artesanato, Adriana também estudou Magistério e, de tanto insistir, diz ela, que mais de seis vezes, rindo ao contar que queria muito trabalhar na Escola Monteiro Lobato, até que um dia veio o convite. Foi aí que ela uniu o talento de artista com a missão de ensinar e ser professora. Adriana se dedicou durante anos, inovou diversas vezes na atividade escolar, foi ideia dela em vestir pela primeira vez as crianças iguais aos pais para homenageá-los em datas especiais. Sobre a escola, ela faz algumas observações. “Hoje, a escola não pode mais ser convencional. Antigamente demorava para descobrir nos alunos algum talento. Hoje, a escola e o professor devem descobrir mais cedo esses talentos e com isso, pode-se trabalhar as aptidões das crianças, desenvolvendo-as para aquilo que elas realmente demonstram gostar e fazer com facilidade. São os dons”, aponta.

Foram anos maravilhosos vividos no ambiente escolar, cheios de alegrias, de desafios, pois educar ainda em nosso país requer bastante esforço.  Adriana tirou de letra as dificuldades que encontrou. Mas o destino estava prestes a lhe pregar uma peça, Adriana então saiu da escola e passou a ser empresária no ramo de calçados. E, agora? Como ficaria o talento, a disposição, o entusiasmo da professora, se não tinha mais a sala de aula, mais e os alunos? Mas habitava nela o dom da palavra. As letras ainda a acompanhavam por onde quer que fosse. Era um dilema de o que fazer?  Se agora eu vendia sapatos, pensava a professora. Surgem então dois livros infantis: Sopa Boa é com as Vogais e a Menina que agora vende sapatos. No primeiro livro ela ensina sobre alimentação saudável utilizando as vogais para nomear frutas, por exemplo, e com ilustrações vai contando o que se pode fazer com as vogais, o que dá uma boa sopa AEIOU. Em A menina que agora vende sapatos, a escritora conta o seu dilema, deixar de ser professora para vender calçados. Também ilustrado, ela vai falando sobre as cores dos calçados e definindo o estilo da pessoa que o usa. Sapatos rosas para as meninas que querem saracotear por aí, os marrons para os conservadores, e os brancos e os pretos são para as pessoas que trabalham demais… Dessa forma, a escritora vai montando uma história e se depara que, mesmo vendendo sapatos, a arte de ser professor, de utilizar o alfabeto e de ensinar permanecem, não importa qual atividade ela vai exercer. Duas obras literárias ilustradas e gostosas de se ler… fáceis, simples e sem complicação.

Adriana conta que para lançar um livro é preciso encaminhar a obra para a Biblioteca Nacional e aguardar uns três meses, para análise. Ambas obras da escritora passaram por esse processo para serem publicadas  e comercializadas. Apaixonada por Ziraldo, autor de O Menino Maluquinho, ela revela que tem um sonho de um dia escrever um romance no estilo dos romances de Nicholas Sparks. Adriana também revelou que o próximo livro já está em processo de envio para a análise. Chama-se “A revolta dos materiais”, onde ela vai descrevendo o que cada material escolar sofre e pensa quando o aluno não sabe utilizá-lo corretamente.  A borracha, quando muito usada, vai borrar o caderno. O lápis se não cuidar ao apontar quebra diversas vezes, já o caderno que de tanto não ser cuidado vai pensar que é um “burro”, por causa da orelhas nas pontas… Em breve será mais um livro para divertir as crianças.

Mas como já foi dito, Adriana não é apenas escritora, em sua casa ela mostrou seu dom para pintura em tela. Abstratos é marca registrada. Apaixonada pela Última Ceia, ela já pintou a obra de diversas formas, todas bem modernas e diferentes do modo convencional. Em sua casa, para nos receber para a entrevista, em uma mesa, ela dispôs um pouco do seu talento.

E ainda falando sobre talento, quem já ouviu falar da Bruxa Cueca? Personagem criado pela escritora que está fazendo maior sucesso nas escolas e lugares por onde ela se apresenta. “A Bruxa é a amiga da escola. Ela costuma levar conhecimento e ao mesmo tempo ela busca saber se o ambiente escolar está indo bem, se o aluno está estudando, se está se comportando. É uma bruxa do bem, ela apenas quer ver a criançada se dando bem na vida”, afirma Adriana. A Bruxa Cueca é registrada e patenteada pela escritora.

Adriana e a Bruxa Cueca recentemente participaram da Feira Internacional do Livro em Foz do Iguaçu, onde expôs suas obras literárias. Adriana também é membro da Academia de Cultura de Curitiba, onde no dia seguinte à nossa entrevista, ela tinha agenda com a Academia, onde faria uma apresentação para contar a história do fundador da Academia Ivo Arzua Pereira.

Contar histórias e criar personagens, isso é coisa para Adriana Maria Zanetta, que não para de ficar inventando coisas. Afinal, vender sapatos ultimamente é o que menos ela tem feito, mas por uma boa causa porque os negócios da empresa estão bem cuidados nas mãos do marido e da equipe. A agenda dela vive cheia, além dos livros e da Bruxa Cueca, ela também é contadora de histórias. Se você quiser que ela conte a história da sua filha, nos seus 15 anos, ela conta. Ela não. A Fada conta, misturando histórias infantis à vida da pessoa. Você pode misturar Cinderela, a Bela e a Fera em sua vida real, tudo isso contado pelas mãos da Fada, outro personagem que ela criou para o trabalho.

É muita coisa, mas para a escritora pode até ser pouco, porque ela é do tipo de pessoa que não para um minuto, está sempre em movimento, em constante atividade. Atividade que fez a escritora criar um bolo especial para a nossa entrevista e nos oferecer em primeira mão um café diferente. Bolo e Café da Bruxa Cueca (receita da amiga Everli), tudo novidade criado para aquele dia. Criatividade, risos, histórias, exemplos a serem seguidos, como da sua mãe que ajudava muito as pessoas. Tudo isso em uma boa conversa, foram despindo a personagem e revelando que por trás de uma beleza feminina, estilo mais extravagante, gargalhadas, existe uma mulher simples, alegre, cheia de vida, desejando sempre algo novo, mas que busca viver intensamente a vida, porque acredita que devemos ser como somos e não como as pessoas gostariam que fôssemos.

Era uma vez, uma menina cheia de sonhos… assim poderia ser o começo da sua história. Essa menina aprendeu que devemos beijar tudo o que fazemos. Para ela, cada trabalho merece ser beijado. “Toda arte merece um beijo, por isso beije suas matérias, a cada vez que você fizer uma matéria nova… beija, beija”, finalizou.

 

“Comprem livros para seus filhos. Não só os meus, mas todos que puderem”. Adriana Maria Zanetta.

Texto: Ivanir Gebert
Fotos: Sander de Paula